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  • Por que Nubank tinha aviso de liquidação pronto pra disparar

    A cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira, admitiu no Instagram que um pull request submetido por um funcionário ativou por engano o protocolo de comunicação de liquidação do banco, na sexta-feira (12/jun/2026). Em nota, a empresa esclarece que o fluxo não trata da liquidação do próprio Nubank: é um modelo genérico para comunicar clientes sobre liquidação de outras instituições, e o nome da companhia entrou como preenchimento padrão.

    Linha do tempo do incidente

    Quando O que aconteceu
    Sex 12/jun/2026 Clientes recebem aviso no app e por email dizendo que ativos do Nubank deixariam de circular e orientando solicitar ressarcimento ao FGC
    Sex 12/jun/2026 Nubank emite primeira nota: “erro operacional pontual, já identificado e solucionado”
    Sáb 13/jun/2026 Cristina Junqueira responde seguidores no Instagram: “bizarro mesmo, mas foi isso mesmo, um erro operacional”
    Sáb 13/jun/2026 Nubank detalha em nova nota: desenvolvedor acionou por engano fluxo de comunicação para liquidação de instituições financeiras; nome da companhia entrou como placeholder default
    Sáb 13/jun/2026 Banco Central nega ter decretado liquidação extrajudicial do Nubank

    Cronologia do incidente conforme reportagem do Valor Econômico. Fonte: Valor Econômico

    O que disse a fundadora

    Questionada por seguidores no Instagram, Junqueira atribuiu o episódio a uma mudança de código que ativou um fluxo de comunicação pré-existente. “Cara, bizarro mesmo, mas foi isso mesmo, um erro operacional. Uma pessoa que submeteu um PR que acabou acidentalmente ativando o protocolo que existe quando algo assim acontece. As mensagens foram para uma parcela muito pequena de clientes, mas é claro que causa uns transtorno”, escreveu, conforme reportagem do Valor. PR, no jargão de desenvolvimento de software, é a sigla de pull request, a solicitação para que alterações de código sejam incorporadas ao sistema principal.

    A fundadora ainda emendou um pedido de desculpas e disse que a equipe agiu para corrigir o problema rapidamente. “Pedimos sinceras desculpas a todos que receberam a informação incorreta. Enfim, mais um aprendizado e já atuamos para que não aconteça de novo”, afirmou.

    Por que o fluxo existia

    A explicação técnica veio na nota oficial enviada na tarde de sábado. “Foi identificado que um desenvolvedor acionou por engano um fluxo de comunicação relacionado à liquidação de instituições financeiras. Na ausência de uma instituição real vinculada a esse fluxo, o nome da companhia apareceu como preenchimento padrão”, informou o Nubank, em comunicado citado pelo Valor. Em outras palavras, o protocolo não foi desenhado para o caso de uma liquidação do próprio banco: é um modelo de comunicação que cobriria clientes do Nubank impactados pela liquidação de alguma instituição parceira ou conectada à operação, e o template recaiu no nome da própria companhia ao ser disparado sem uma instituição vinculada.

    A reportagem do Valor ouviu especialistas em segurança cibernética que apontam um erro operacional como possibilidade, mas não descartam a hipótese de sabotagem interna ou ataque hacker. O Banco Central, por sua vez, negou que tenha decretado a liquidação extrajudicial do banco e o Nubank afirmou que não houve “impacto sobre a segurança, a estabilidade da operação ou o funcionamento” dos serviços. O incidente vem na esteira de outro episódio de comunicação recente, quando o banco admitiu instabilidade no Pix enquanto o Banco Central negava qualquer falha sistêmica.

    O que observar

    O caso expõe um padrão comum em fintechs de grande porte: fluxos de comunicação dormentes, desenhados para cenários extremos de mercado (liquidação de parceira, suspensão de serviço, falha de provedor), ficam pré-construídos no sistema com templates que dependem de variáveis preenchidas em tempo de execução. Quando o disparo acontece sem o contexto esperado, o template recai em valores default que, fora de cenário, são errados. Vale acompanhar como instituições financeiras reguladas tratam o ciclo de vida desses fluxos de incidente, com que frequência são auditados, e quais salvaguardas estão em camadas antes do envio efetivo.

    A segunda pergunta é de governança de código. Em ambientes regulados, mudanças que tocam canais de comunicação com cliente costumam exigir feature flags, revisões manuais e testes de smoke antes do deploy. A questão é se grandes plataformas digitais conseguem manter esse rigor à medida que aumentam a velocidade de release. Se a tendência for de mais automação e PRs frequentes, a camada de proteção precisa ser igualmente robusta para que nenhum fluxo dormente seja ativado por uma mudança colateral.

    Fontes: Valor EconômicoBloomberg LíneaCNN BrasilLet’s Money

  • Governo dos EUA desliga Claude 5 da Anthropic globalmente

    O Departamento de Comércio dos Estados Unidos ordenou a Anthropic a desligar Claude Fable 5 e Mythos 5 para qualquer usuário fora do país em 12 de junho. A empresa cumpriu a determinação globalmente em poucas horas, mas divulgou um comunicado discordando da decisão. Bancos, fintechs e empresas brasileiras que adotaram os modelos perderam acesso da noite para o dia.

    Como o export control derrubou Claude 5 em três dias

    Marco Quando
    Secretário de Comércio dos EUA envia carta a Dario Amodei 12/jun/2026, 17h21 ET
    Anthropic remove acesso a Claude Fable 5 e Mythos 5 globalmente 13 a 14/jun/2026

    Cronologia do export control. Fonte: Implicator.ai

    A ordem do governo dos EUA à Anthropic em três dias

    Segundo a Implicator.ai, o Secretário de Comércio Howard Lutnick enviou uma carta a Dario Amodei, CEO da Anthropic, na sexta-feira 12 de junho às 17h21 horário do leste americano, equivalente a 18h21 em Brasília. A medida colocou Claude Fable 5 e Mythos 5 sob export control, proibindo exportação, re-exportação ou transferência doméstica dos modelos para qualquer cidadão estrangeiro sem licença. Como a Anthropic não consegue separar acessos por nacionalidade em produção, optou por um shutdown global, atingindo também usuários brasileiros, europeus e asiáticos.

    Em comunicado, a empresa afirmou que está cumprindo a determinação legal do governo e removendo o acesso aos dois modelos para todos os usuários. “Discordamos que a constatação de um jailbreak potencial e restrito seja motivo para retirar um modelo comercial implantado para centenas de milhões de pessoas. Se esse padrão fosse aplicado em toda a indústria, acreditamos que isso essencialmente paralisaria todos os novos deployments de modelos por provedores de modelos frontier”, afirmou a Anthropic. A nota também disse que o governo deveria ter a capacidade de bloquear deployments inseguros como parte de um processo estatutário transparente, justo, claro e baseado em fatos técnicos, e que a ação não atende a esses princípios.

    O contexto regulatório vinha sendo sinalizado pelo próprio mercado. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, chamou o Mythos de “arma nuclear”, alertando bancos sobre a velocidade da capacidade de modelos frontier. A Anthropic lançou Claude Fable 5 e Mythos 5 três dias antes da ordem; segundo a própria companhia, Fable 5 é a versão pública dos modelos Claude 5, com guardrails ativos em cibersegurança, biologia e química; Mythos 5 é a versão com restrições reduzidas, liberada para parceiros corporativos e instituições de pesquisa previamente aprovados.

    Europa amplifica soberania e Brasil entra na conversa

    A decisão americana acelerou a tese europeia de soberania tecnológica. A iniciativa europeia de pagamentos por trás do Wero declarou que “atualmente ainda depende de serviços de fora da Europa em algumas áreas” e se comprometeu a aumentar progressivamente o uso de provedores europeus, mantendo padrões de performance, segurança e resiliência. O ministro de Inteligência Artificial do Reino Unido, Kanishka Narayan, postou em 14 de junho que, se segurança nacional é a pergunta, capacidade soberana em IA é a resposta central.

    O efeito chega ao Brasil em duas frentes. Empresas locais que vinham adotando Claude em produção também ficaram sem Fable 5 e Mythos 5; semanas antes do bloqueio, a HOUS3 reuniu 40 executivos brasileiros em São Paulo para um workshop dedicado a Claude. Paralelamente, a discussão sobre soberania tecnológica no país, que ganhou tração com a recente retirada do Drex, agora soma o vetor da camada de inteligência artificial à dependência já mapeada em pagamentos e cloud.

    O que observar

    O episódio abre três frentes simultâneas para reguladores e executivos de bancos, fintechs e instituições financeiras. A primeira é a de continuidade operacional: empresas que estavam em produção sobre modelos frontier estrangeiros precisam desenhar contingência em janelas de horas, não meses. A discussão deixa de ser sobre o tamanho da dependência estratégica e passa a ser sobre o custo operacional de recompor a stack rapidamente.

    A segunda frente é regulatória. Bancos centrais e autoridades de defesa nacional ganham um argumento empírico para incluir inteligência artificial em listas de infraestrutura crítica, ao lado de pagamentos e dados. Vale acompanhar se reguladores que vinham debatendo soberania em pagamentos estendem a discussão para a camada de IA, e em que prazo. A terceira é a de provedores alternativos: a janela de demanda por modelos abertos e por provedores europeus e asiáticos abriu rapidamente, mas o custo de migração é elevado para quem já desenhou produto sobre uma stack específica.

    Fontes: FinextraImplicator.aiSiliconANGLEAnthropic

  • Alipay e WeChat correm por agentes com 1 bi de usuários

    A Ant Group, do Jack Ma, prepara um redesign do Alipay em torno de um assistente de IA capaz de pedir comida, chamar corrida e executar tarefas financeiras dentro do próprio super app. A Tencent testa, em paralelo, um agente análogo no WeChat. Os dois aplicativos somam mais de 1 bilhão de usuários cada e disputam, agora, quem captura primeiro a camada de decisão automatizada na vida cotidiana chinesa.

    A corrida agêntica nos super apps chineses

    Player Movimento Usuários
    Alipay (Ant Group) Redesign com assistente de IA: pedir comida, corrida, gestão financeira 1+ bilhão
    WeChat (Tencent) Protótipo de agente de IA em teste 1+ bilhão

    Movimento agêntico em super apps chineses. Fonte: PYMNTS

    Como Alipay e WeChat avançam no agêntico

    Segundo a PYMNTS, citando reportagem da Bloomberg publicada em 14 de junho de 2026, a nova versão do Alipay vai permitir que os usuários peçam ao assistente de IA tarefas como pedir comida, chamar uma corrida e executar gestão financeira por voz ou texto. A confirmação do projeto veio de fontes próximas à empresa e de um vídeo de demonstração visto pela Bloomberg. O lançamento ainda não tem data marcada e o produto segue em testes internos.

    A Tencent reagiu com um movimento simétrico. Segundo a mesma reportagem, a dona do WeChat testa um protótipo de agente de IA dentro do aplicativo. A integração foi sinalizada pela primeira vez em março de 2026, quando a empresa começou a explorar agentes para a base de mais de 1 bilhão de usuários do WeChat. Os dois super apps já são parte da vida diária chinesa: usuários os utilizam para pagar contas de luz, comprar passagens e movimentar dinheiro sem trocar de aplicativo.

    O movimento se apoia em uma onda mais ampla. A reportagem aponta que consumidores na China vinham demonstrando apetite por automação ao adotar o framework de código aberto OpenClaw para criar agentes próprios. Para Ant e Tencent, a aposta é canalizar esse apetite para dentro dos super apps, onde dados de pagamento, identidade e relacionamento já estão concentrados. A própria Ant lançou em maio de 2026 uma carteira de IA e a plataforma Token Pay, infraestrutura desenhada para que agentes movimentem dinheiro com autorização do usuário.

    O paralelo brasileiro: super app, canal e IA

    O movimento chinês ressoa em decisões recentes de players brasileiros. O Itaú lançou o ia.i e levou saldo e Pix para dentro do WhatsApp, atacando exatamente a mesma lógica de Ant e Tencent: colocar o agente onde o cliente já está. No B2B, a Conta Simples lançou um banco agêntico para PMEs, em que o agente executa pagamentos e tarefas financeiras sob delegação. Em ambos, o produto deixa de ser a tela do banco e passa a ser a decisão automatizada.

    Tim Joslyn, CTO da Paymentology, resumiu à PYMNTS o gargalo central da nova onda. “É fácil fazer algo recomendar um produto. Mas a parte difícil é permitir que ele gaste o seu dinheiro”, afirmou. O executivo lembrou que pagamentos máquina a máquina existem há anos em billing automatizado, cloud billing e modelos de consumo via API. O que muda agora, segundo ele, é que a IA passa a ser a parte que efetivamente toma a decisão de compra.

    O que observar

    O eixo da disputa migra do storefront para a camada de decisão. Quem captura o agente que autoriza o gasto ganha posição contra varejistas, marketplaces e até bancos que operavam como destinos finais do clique. Super apps largam com vantagem operacional porque já concentram identidade, métodos de pagamento, histórico e contratos; o que falta é a confiança do usuário para delegar gastos recorrentes.

    A discussão sobre quem é dono do cliente no comércio agêntico deixa de ser teórica. Vale acompanhar três frentes. A primeira é a regulatória: como reguladores que cobram controle sobre IA agêntica em instituições financeiras vão tratar autorização, limites e auditoria de gastos delegados. A segunda é o desenho de produto: super apps, bancos digitais e fintechs verticais buscam a interface que extrai consentimento sem fricção. A terceira é a infraestrutura: provedores de carteira, autenticação e roteamento de pagamento que conseguirem responder em milissegundos a agentes vão capturar uma camada nova de receita.

    Fontes: PYMNTSBloombergThe Standard HKCNBC

  • Regra do BC derruba pedidos de licença cripto de 200 para 50

    A nova regulação do Banco Central para empresas de cripto começou a redesenhar o setor antes mesmo do prazo final de pedidos de licença, em outubro de 2026. Antes das regras finais, fontes do mercado estimavam que entre 150 e 200 empresas buscariam autorização. Agora, a projeção é de não muito mais que 50.

    O que a regulação do BC muda para o setor de cripto

    Indicador Antes / Depois
    Estimativa antes das regras finais 150 a 200 empresas
    Projeção atual de pedidos de licença cerca de 50 empresas
    Capital mínimo exigido cerca de R$ 10 mi a R$ 37 mi
    Prazo final para pedir licença 29 de outubro de 2026

    Projeções do setor e exigências da regulação do BC para ativos virtuais. Fonte: Valor Econômico

    Por que o custo virou o filtro de entrada

    As prestadoras de serviços de ativos virtuais, conhecidas como VASPs ou PSAVs, precisam comprovar capital mínimo que varia de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões, conforme a atividade, seja intermediação, custódia, infraestrutura ou tokenização. A avaliação de fontes do setor é que a regulação traz segurança jurídica e eleva padrões de governança, mas impõe uma transição mais cara e complexa do que parte do mercado esperava.

    “Você vai criando camadas de complexidade dentro da oferta de um serviço por conta da demanda do custo regulatório”, afirma Julia Rosin, diretora-presidente da ABcripto. Segundo ela, o custo levou empresas a buscar alternativas para baratear a entrada: contratação de terceiros, internacionalização, fusões ou venda de operações. A tendência, segundo as fontes ouvidas, é de concentração, com empresas menores avaliando vender carteiras, firmar acordos com companhias maiores ou operar por meio de estruturas já licenciadas.

    A corrida contra o prazo de outubro

    O relógio aperta a decisão. Em maio, o Let’s Money mostrou que o BC passou a exigir auditoria das empresas de ativos virtuais para conceder autorização, e o processo não é rápido. “A gente tem um deadline. Esse deadline é 29 de outubro”, afirma João Dunin, COO do Z.ro Bank. “Para auditar uma operação de uma exchange, você vai demorar dois meses, talvez três meses, dependendo do nível de auditoria”, diz. Empresas com mais capital passaram a reforçar áreas como compliance, riscos, jurídico regulatório, cibersegurança e auditoria, mas o setor relata escassez de profissionais que combinem mercado financeiro regulado com conhecimento técnico de blockchain.

    Do lado do regulador, não haverá um roteiro detalhado para cada passo. “Não vai ter um manual. A norma traz o que é exigido de uma forma aberta e a gente vai tratar no caso a caso”, afirmou Gustavo Martins dos Santos, do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro (Denor) do BC. Entre os pontos que ainda geram dúvidas estão a forma de prestação de informações, regras de transição para determinados serviços e a integração com estruturas já reguladas, como o Pix. A ABcripto, que definiu sua agenda de regulação para 2026, alerta que a demora nessas respostas pode empurrar os pedidos para o fim da janela e sobrecarregar o próprio regulador.

    O que observar

    O ponto a acompanhar é quem fica de fora. Se o custo de capital e a complexidade de auditoria se confirmarem como a fonte de pesquisa indica, as prestadoras de menor porte e os provedores de infraestrutura sem caixa para sustentar áreas de compliance, risco e cibersegurança são os mais pressionados a vender carteiras, buscar investidores ou operar sob a licença de terceiros. A pergunta é se a transição preserva a diversidade de modelos de negócio ou se acelera a concentração num punhado de players com fôlego regulatório.

    Vale observar também o ritmo do regulador. Com avaliação caso a caso e sem manual, a velocidade das respostas a dúvidas sobre certificação, transição e prestação de informações vira variável crítica: quanto mais tarde elas chegarem, maior a chance de uma fila de pedidos concentrada nas últimas semanas antes do prazo, justamente quando a capacidade de análise é mais escassa.

    Fontes: Valor EconômicoExameCNN Brasil

  • Visa cria infraestrutura para banco tokenizar depósitos

    A Visa vai construir a camada de tecnologia que permite a bancos transformar depósitos tradicionais em dinheiro programável e disponível 24 horas, sem tirar os recursos do balanço. O movimento dá às instituições uma resposta direta às stablecoins, e a empresa já mira o mercado brasileiro para 2026.

    Visa no fórum de pagamentos 2026

    Indicador Número
    Liquidação em stablecoin (run rate anualizado) ~US$ 7 bi (mar/2026)
    Programas de cartão ligados a stablecoin +160 (ativos ou em desenvolvimento)
    Anúncio de depósito tokenizado Visa Payments Forum, 10/jun/2026

    Números do Visa Payments Forum 2026. Fonte: Visa

    A resposta dos bancos à era das stablecoins

    O anúncio saiu no Visa Payments Forum, em 10 de junho de 2026. A ideia é dar aos bancos uma forma de igualar a velocidade e a flexibilidade das stablecoins sem mover os recursos para fora do balanço: o depósito continua sendo um passivo da instituição, mas passa a circular como token programável em blockchain. “A IA está transformando a ponta do consumo. As stablecoins estão remodelando os bastidores”, disse Jack Forestell, diretor de produto e estratégia da Visa, em tradução livre.

    A aposta acompanha um movimento mais amplo de bancos que preferem o depósito tokenizado à stablecoin para manter controle regulatório e contábil. Nos Estados Unidos, grandes bancos preparam uma alternativa própria de depósito tokenizado às stablecoins, e o Banco da Inglaterra prioriza depósitos tokenizados antes das stablecoins. No mesmo fórum, a Visa também fechou parceria com a OpenAI no comércio agêntico. A própria Visa diz já ter movimentado bilhões de dólares em stablecoins pela VisaNet, com run rate anualizado de cerca de US$ 7 bilhões em março de 2026, e mantém mais de 160 programas de cartão ligados a stablecoin ativos ou em desenvolvimento.

    O que a Visa já planeja para o Brasil

    O Brasil está no radar. Antônia Souza, diretora de Blockchain e Ativos Digitais da Visa para a América Latina, afirmou que conversou com quase todos os bancos do Brasil e da região sobre o tema e que todos demonstram interesse concreto. A empresa espera colocar produtos de stablecoin e finanças programáveis na rua em 2026, incluindo recursos baseados em contratos inteligentes.

    O contexto local tem uma camada a mais: a infraestrutura da Visa Tokenized Asset Platform pode conviver com o Drex, a moeda digital do Banco Central, e com stablecoins lastreadas em real. Rodrigo Cury, presidente da Visa no Brasil desde outubro de 2025, classificou as stablecoins como tema super interessante para a operação brasileira, segundo o BlockNews.

    O que observar

    A pergunta central é de custódia e balanço. O depósito tokenizado promete a programabilidade da stablecoin sem tirar o dinheiro do passivo bancário, o que reposiciona quem disputa a infraestrutura de liquidação: emissores de stablecoin de um lado, bancos e suas plataformas de tokenização de outro. Vale acompanhar se as instituições financeiras de grande porte vão adotar uma camada de tecnologia de terceiros ou construir a própria, e qual padrão prevalece quando o token precisa transitar entre balanços de bancos diferentes.

    No Brasil, o teste é de convivência. Com o Drex em fase de pilotos e a expectativa de stablecoins lastreadas em real, o desenho regulatório vai definir se depósito tokenizado, moeda digital de banco central e stablecoin privada competem pelo mesmo caso de uso ou se dividem o mercado por tipo de transação. A pergunta que fica é qual deles resolve primeiro o problema prático de liquidação instantânea entre instituições sem fricção de conversão.

    Fontes: FinextraVisaPYMNTSBlockNews

  • Burocracia de sócios trava Open Finance nas empresas

    O Open Finance cruzou a marca de 200 milhões de consentimentos e processa 40 bilhões de chamadas por mês, mas ainda não emplacou entre as empresas. A executiva do Open Finance Brasil, Ana Paula Domenici, admite que conectar contas de negócios com vários sócios é burocrático e promete uma solução para 2026.

    Open Finance em números

    Indicador Valor
    Consentimentos 200 milhões
    Brasileiros usando pelo menos 112 milhões
    Chamadas por mês 40 bilhões
    Participantes da infraestrutura 780

    Números do Open Finance citados pela executiva do Open Finance Brasil em entrevista. Fonte: Convergência Digital

    Por que as empresas ficaram para trás

    Para a pessoa física, o consentimento é quase imediato: um toque autoriza o compartilhamento de dados entre instituições. Para a pessoa jurídica, a história é outra. Quando a conta pertence a uma empresa com mais de um dono, cada autorização precisa passar pela burocracia de conectar contas de negócios com vários sócios, o que trava a adesão mesmo entre quem se beneficiaria do sistema.

    Os números mostram o tamanho do desafio. Entre as empresas, o Open Finance somava, em 2025, 403,2 mil consentimentos como receptoras de dados e 406,7 mil como transmissoras, uma fração diante dos 200 milhões totais. “Estamos desenvolvendo uma solução que fica pronta ainda esse ano. A implementação vai depender dos 780 participantes da infraestrutura”, afirmou Domenici, ao detalhar o plano para destravar o acesso das empresas.

    A escala que o sistema já alcançou

    O contraste com a base geral ajuda a entender a aposta. O Open Finance saltou de quando o sistema passou de 100 milhões de consentimentos para os 200 milhões atuais, marca que coloca o Brasil à frente de mercados como o Reino Unido na maturidade da infraestrutura. “Estão sendo feitas 40 bilhões de chamadas por mês”, afirmou a executiva, em referência ao volume de tráfego que circula entre os 780 participantes.

    A solução para empresas, segundo Domenici, terá como missão desburocratizar o consentimento, mas terá tempo de implementação ao longo do ano. “A solução ficará pronta esse ano, mas temos um tempo de implementação. São 780 participantes da infraestrutura, mas vamos fazer algo para ampliar o open finance às empresas”, disse. A expectativa, afirma, é que a infraestrutura fique invisível ao usuário. “Quero que o open finance permita às pessoas fazer a gestão de suas contas e que traga a cidadania financeira”, preconizou.

    O que observar

    O gargalo das empresas é menos de tecnologia e mais de fluxo de autorização: quando uma conta tem múltiplos responsáveis, cada compartilhamento exige um desenho de consentimento que contemple assinaturas conjuntas, alçadas e poderes societários. Vale acompanhar se a nova camada prometida para este ano reduz essa fricção sem criar etapas extras, ponto em que ecossistemas de dados costumam perder adesão.

    A pergunta que fica é se a infraestrutura consegue chegar ao patamar de invisibilidade citado pela executiva. Para os participantes que precisam implementar a mudança, o desafio é operacional e tem prazo: a solução depende da adoção pelos quase oitocentos integrantes da rede, e o ritmo dessa implementação vai definir quando o segmento corporativo deixa de ser a exceção dentro de um sistema que já move dezenas de bilhões de chamadas por mês.

    Fontes: Convergência DigitalAgência BrasilLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money

  • Barclays compra app de banco para 500 mil jovens no UK

    O Barclays fechou acordo para comprar a GoHenry, app de banco para crianças e adolescentes de 6 a 18 anos, da americana Acorns. A operação no Reino Unido leva ao banco 500 mil usuários ativos e o coloca na mesma corrida por contas de jovens que Nubank e Santander aceleram no Brasil.

    A compra da GoHenry em números

    Item Dado
    Valor estimado ~£180 mi (fontes de mercado; Barclays não confirmou)
    Usuários ativos no Reino Unido 500 mil
    Membros desde 2012 mais de 2 milhões
    Prejuízo em 2024 £21,9 mi (ante £48 mi em 2023)
    Impacto no capital (CET1) queda de cerca de 5 pontos-base

    Termos da compra da GoHenry pelo Barclays, com valor estimado por fontes de mercado. Fonte: CityAM

    Quem é a GoHenry e o que muda no acordo

    Lançada em 2012, a GoHenry construiu sua base com uma combinação de cartão de débito pré-pago, controles para os pais e ferramentas de educação financeira dentro do app. Entre os recursos estão as “Money Missions”, lições curtas para construir literacia financeira, e um plano de investimento infantil (Junior ISA) gerido pela Vanguard, voltado a famílias que querem investir para o futuro dos filhos.

    Pelo acerto, a GoHenry passa a integrar a operação britânica do Barclays, enquanto o negócio nos Estados Unidos, agora sob a marca Acorns Early, permanece com a Acorns. A conclusão da compra depende de aprovação regulatória e está prevista para o quarto trimestre de 2026. O valor, segundo o CityAM, foi estimado em torno de £180 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão), mas o Barclays não comentou o preço.

    “Como uma marca nascida e construída no Reino Unido, estamos animados com as oportunidades que entrar no Barclays vai trazer, não só para o negócio e nosso time, mas para nossos membros e o público em geral. O que muda é a nossa capacidade de fazer mais”, disse Louise Hill, fundadora da GoHenry (em tradução livre).

    A corrida por contas de jovens

    O movimento reflete o avanço do modelo de “banco para a família”, em que instituições oferecem produtos conectados para diferentes gerações de um mesmo lar, e a absorção da experiência de fintechs pelos bancos tradicionais. A aposta é converter usuários jovens em correntistas adultos, ampliando o relacionamento à medida que crescem. O britânico já vinha consolidando essa estratégia de compras: meses atrás, o Barclays fechou a compra da fintech de crédito Best Egg nos EUA.

    No Brasil, a disputa pela conta de quem ainda nem chegou à maioridade já está aberta. O Santander lançou conta digital para adolescentes com Pix, o Nubank abriu conta para menores e lançou um plano voltado a jovens de 16 a 18 anos, e bancos têm usado Open Finance e IA em novas apostas de educação financeira. “A GoHenry teve um papel pioneiro na criação de serviços financeiros voltados para jovens. Estamos animados em receber a GoHenry no Barclays, onde ela vai turbinar nossa oferta para lares e famílias”, afirmou Vim Maru, CEO do Barclays UK (em tradução livre).

    O que observar

    A lógica por trás de comprar uma base de usuários menores de idade é o valor do tempo: quem ganha o primeiro cartão tende a permanecer no mesmo guarda-chuva financeiro por anos. Vale acompanhar se os bancos incumbentes conseguem preservar a experiência de uso e o componente educacional que tornaram essas fintechs atraentes, ou se a integração a estruturas maiores dilui o produto.

    A pergunta operacional é de retenção: a conversão de um usuário adolescente em correntista adulto não é automática e exige manter o engajamento por uma década. Para as fintechs de nicho que disputam o mesmo público, o teste passa a ser se conseguem escalar sozinhas ou se a saída natural vira a venda para uma instituição maior, num mercado em que controle parental, primeiro cartão e literacia financeira se tornam porta de entrada para o relacionamento bancário de longo prazo.

    Fontes: FinextraCityAM

  • BRB espera concluir aumento de capital até o fim do mês

    O BRB espera concluir até o fim de junho o aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões que tenta recompor o caixa do banco distrital. Antes disso, falta destravar a fiança dos seis maiores bancos do país, peça que sustenta o empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC ao Governo do Distrito Federal.

    A engenharia do socorro ao BRB

    Etapa Situação
    Aumento de capital até R$ 8,8 bilhões
    Empréstimo do FGC ao GDF R$ 6,6 bilhões
    Prazo de preferência dos acionistas encerrado em 3 de junho de 2026
    Conclusão prevista até o fim de junho de 2026
    Etapa pendente fiança dos seis maiores bancos e homologação do BC

    Estrutura do aumento de capital do BRB, junho de 2026. Fonte: Valor Econômico

    A ordem que trava o cronograma

    Segundo o presidente do BRB, Nelson de Souza, a operação deve ser concluída até o fim do mês. A informação foi divulgada primeiro pela Bloomberg e confirmada ao Valor pelo executivo. O prazo para os acionistas exercerem o direito de preferência no aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões terminou em 3 de junho, mas ainda faltam as etapas de sobras, eventual rateio e homologações parciais antes do resultado definitivo.

    O nó está na sequência. Antes do empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC, é preciso resolver a fiança que será oferecida pelos seis maiores bancos do país: Itaú, Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Santander e BTG. Em maio, o Let’s Money mostrou que os seis grandes bancos acertaram uma fiança de R$ 6,4 bilhões, mas a composição final ainda não está fechada. A XP também se movimentou para entrar na garantia, e um banco de médio porte com expertise em contratos de fiança participou de conversas nos últimos dias.

    “Primeiro se faz a fundação [fiança] para depois levantar as paredes [empréstimo]. Ainda não tem nada definido”, disse um interlocutor ao Valor. As conversas com o FGC para o empréstimo ao Governo do DF, segundo fontes próximas, ainda não avançaram muito.

    De onde vem o buraco no capital

    A necessidade de capital nasce da exposição do BRB ao Banco Master. Uma auditoria interna apontou possíveis perdas de R$ 8,8 bilhões: dos cerca de R$ 30 bilhões em títulos comprados do Master, ao menos R$ 2,6 bilhões estariam sem lastro e outros R$ 6,2 bilhões apresentam risco de não recuperação. O socorro faz parte de um plano costurado entre Fazenda, FGC e bancos, com acordo homologado no Supremo Tribunal Federal envolvendo União, Distrito Federal, Banco Central e o próprio BRB.

    A Câmara Legislativa do DF aprovou na terça-feira, por 11 votos a 9, o projeto que autoriza a operação de crédito de R$ 6,6 bilhões com o FGC, conforme noticiado pelo Times Brasil. A votação enfrentou resistência de servidores e de parte da bancada, que questionou os termos do acordo. Procurado, o banco reforçou que o desenho ainda não está fechado. “Conforme o fato relevante de 27 de maio, após o encerramento do prazo de preferência em 3 de junho ainda ocorrerão as etapas relacionadas às sobras, eventual rateio e homologações parciais antes da divulgação do resultado definitivo. A conclusão da operação depende, ainda, da autorização e da homologação do aumento de capital pelo Banco Central”, afirmou o BRB.

    O que observar

    O ponto sensível é a ordem das peças. Um aumento de capital com prazo apertado depende de uma garantia privada que precisa ser estruturada antes do empréstimo, que por sua vez precisa da homologação do regulador. Vale acompanhar se essa sequência, fiança, empréstimo e homologação, cabe dentro da janela de poucas semanas anunciada, ou se o cronograma escorrega para o trimestre seguinte.

    Há também uma questão de precedente. Quando um fundo garantidor passa a financiar a recapitalização de um banco de controle estatal, com grandes bancos privados entrando como fiadores, o desenho testa os limites do arranjo de proteção do sistema. A pergunta que fica é se modelos assim viram referência para futuros casos de bancos públicos sob estresse de capital, ou se permanecem como solução de exceção negociada caso a caso.

    Fontes: Valor EconômicoTimes BrasilLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money

  • Bradesco elege PMEs como motor de crescimento em 2026

    O Bradesco escolheu as pequenas e médias empresas como a próxima avenida de crescimento em 2026. Depois de trimestres de corte de custos e reorganização, o banco quer transformar as PMEs no principal vetor de expansão e diz ter um trunfo contra os bancos digitais: a relação de longo prazo com o empresário, mesmo com a Selic a 14,5% ao ano.

    O tripé da estratégia para PMEs

    Pilar Como o banco usa
    Crédito Alavanca que financia capital de giro e abre a porta da principalidade
    Tecnologia IA, modernização digital e ofertas personalizadas por segmento
    Relacionamento Capilaridade de agências e o gerente, “alguém do outro lado da mesa”

    Os três pilares da estratégia para PMEs, segundo o diretor executivo Alexandre Panico. Fonte: Seu Dinheiro

    A nova fronteira da guerra entre bancões e fintechs

    O mercado de PMEs virou uma espécie de nova fronteira na disputa entre grandes bancos e plataformas digitais. Enquanto o Corporate Banking e o Wealth Management têm potencial de expansão mais limitado, o segmento de pequenas e médias empresas ainda oferece espaço para ganhar participação e aprofundar relacionamento. “A tendência é que o nosso negócio de PME tenha maior capacidade de gerar valor dentro do nosso balanço do que as demais operações”, afirmou Alexandre Panico, diretor executivo do Bradesco, em entrevista ao Seu Dinheiro.

    Do outro lado avançam concorrentes como o Nubank, que já soma 6 milhões de clientes PJ, e o Mercado Pago, que ganham espaço com contas digitais, maquininhas e pagamentos integrados. O movimento ocorre depois de um turnaround que, sob o comando de Marcelo Noronha, fez a ação do banco subir 63,5% em 2025 e superar a alta dos rivais. Para Panico, a briga é acirrada: “É um mercado extremamente competitivo e vários estão querendo jogar esse jogo aqui.”

    O trunfo da principalidade

    A aposta do Bradesco é capturar a chamada principalidade, ou seja, tornar-se o banco principal da empresa e não apenas mais uma conta. O empresário, argumenta o banco, precisa de financiamento, seguros, meios de pagamento, gestão de caixa e orientação, e é nessa combinação que o banco vê vantagem sobre os entrantes. “Os insurgentes não conseguem atender o todo, até por uma questão simples de camada e quantidade de produtos disponíveis”, afirma Panico.

    O terceiro pilar, o relacionamento, é onde o banco acredita ter a diferença mais difícil de replicar. A aposta é que o cliente PJ quer discutir decisões de negócio com um gerente, e não ser atendido por uma máquina, posição coerente com a leitura de que o Bradesco é um banco digital com forte presença física. No crédito, a expansão será seletiva: o banco quer usar modelos de dados mais sofisticados para identificar clientes com maior potencial e menor risco, na mesma linha em que vem mirando margem com crédito de baixo risco. “O Bradesco está seletivo, mas com apetite. Não seremos agressivos”, diz o diretor.

    O que observar

    O teste central é se um modelo ancorado em relacionamento e amplitude de produtos consegue sustentar margem num ciclo de juros altos. Com a Selic em dois dígitos, grandes bancos de varejo apostam que o empresário valoriza ainda mais ter com quem discutir investimento e renegociação de dívida, enquanto os entrantes digitais competem em produtos específicos. Vale acompanhar se a captura de principalidade se traduz em receita por cliente acima da média ou se esbarra na inadimplência.

    A diferença entre conquistar uma conta e se tornar o banco principal é o ponto que separa os dois lados dessa disputa. Para os grandes bancos, a vantagem alegada é a capilaridade física e a esteira completa de produtos; para os entrantes, a simplicidade da jornada digital. O indicador a observar nos próximos trimestres é quanto da carteira de pequenas e médias empresas migra de relacionamento transacional para relacionamento principal, sem deterioração relevante da qualidade do crédito.

    Fontes: Seu DinheiroBloomberg LíneaLet’s Money

  • Nubank detalha estratégia de transformação com IA

    O Nu apresentou sua estratégia de inteligência artificial no Nu Videocast, sustentada por uma base de 135 milhões de clientes, mais de uma década de dados e um pool de talentos globais. Na conversa, o CTO Eric Young e o gerente geral de AI Core, Rohan Ramanath, detalharam como dados proprietários, modelos fundacionais e densidade de talento permitem ao Nu transformar o setor bancário por meio da IA, abrangendo concessão de crédito, experiência do cliente e operações internas.

    A estratégia de IA do Nu em números

    Indicador Número
    Base de clientes (taxa de atividade 83%) 135 milhões
    Receita média por cliente ativo (1T2026) ~US$ 16 (vs ~US$ 40 em bancos tradicionais)
    Usuários do AI Private Banker +15 milhões ativos mensais
    nuFormer aplicado Maior segmento de crédito no Brasil, expandindo para México e Colômbia

    Dados da estratégia de IA do Nu. Fonte: Nu

    nuFormer: o modelo no centro da decisão de crédito

    No centro da estratégia está o nuFormer, o modelo fundacional proprietário e autossupervisionado do Nu. A precisão do modelo permite à companhia estender limites de crédito com segurança a clientes que teriam sido excluídos por modelos menos granulares, impulsionando ao mesmo tempo a inclusão financeira e o crescimento da receita. O nuFormer já está aplicado ao maior segmento de crédito do Nu no Brasil e se expande para empréstimos pessoais, além de México e Colômbia.

    O modelo também retroalimenta as próprias melhorias: a equipe de pesquisa comprimiu o ciclo de experimentação de meses para um único dia, automatizando um laboratório que testa novas técnicas de artigos acadêmicos contra dados internos. O movimento dá sequência ao que o Let’s Money mostrou quando o Nubank passou a crescer em crédito com IA sem elevar a inadimplência. “Modelos melhores não apenas reduzem as perdas. Eles nos permitem estender crédito de forma segura e responsável a um número maior de pessoas. Isso é inclusão e rentabilidade juntas”, disse Rohan Ramanath, general manager de AI Core do Nu.

    Três vantagens estruturais: dados, talento e cultura

    A estratégia se apoia em três vantagens construídas ao longo de mais de uma década. A primeira é dados: a base de 135 milhões de clientes, com taxa de atividade de 83% e alta principalidade, oferece visão agregada do comportamento financeiro. A segunda é talento: o Nu aparece em listas como Melhores Empresas de 2026 do LinkedIn no Brasil, as mais bem avaliadas no Glassdoor em 2025 e o Forbes’ World’s Best Employers 2025, e a aquisição da Hyperplane em 2024 trouxe pesquisadores de IA do Google, da Meta, da Apple e da Microsoft.

    A terceira é cultura: todos os funcionários têm acesso a ferramentas de IA, e a empresa mede uso e impacto em cada função. Um projeto de arquitetura de backend, por exemplo, foi acelerado em quase um ano com desenvolvimento assistido por IA. “Não basta ter um desses diferenciais, nem dois. É extremamente difícil construir os três e ainda mais difícil sustentá-los”, disse Ramanath.

    AI Private Banker e o posicionamento competitivo

    O Nu desenvolve o que chama internamente de AI Private Banker: um conjunto de recursos de IA para ajudar clientes a organizar finanças, gerenciar dívidas e tomar melhores decisões de crédito, levando ao bolso de centenas de milhões o tipo de inteligência antes restrito aos ultra-ricos. Algumas funcionalidades estão em teste há pelo menos seis meses e já somam mais de 15 milhões de usuários ativos mensais, com uma versão consolidada esperada em breve.

    O pano de fundo é a receita: o Nu registrou receita média por cliente ativo de cerca de US$ 16 no primeiro trimestre de 2026, contra aproximadamente US$ 40 em bancos tradicionais, e aposta em personalização, venda cruzada e no consultor financeiro por IA para fechar essa lacuna. Um relatório recente do Morgan Stanley descreveu que o Nu aplica à IA o mesmo manual que inaugurou a era do banco digital, em linha com o que outros bancos sinalizam sobre o avanço da IA no setor financeiro. “Preferimos definir os novos padrões a esperar e reagir”, disse Eric Young, CTO do Nu.

    O que observar

    O movimento importa para clientes de baixa e média renda, justamente o público com acesso historicamente limitado a aconselhamento financeiro personalizado, e para quem disputa a concessão de crédito apoiada em dados proprietários. Vale acompanhar a chegada da versão consolidada do consultor por IA e em que ritmo a receita média por cliente ativo responde a essas iniciativas ao longo de 2026.

    Fontes: NuLet’s MoneyLet’s Money